segunda-feira, 22 de março de 2010

O que leva as montadoras a optarem por Brasil ou Argentina?

   Vistos como um mercado unificado a partir da eliminação dos impostos de importação com a implementação do Mercosul, Brasil e Argentina vivem uma situação para lá de inusitada em termos de indústria automotiva. O mercado menor (Argentina) produz, em sua maioria, carros mais requintados e caros. Já o mercado que vende mais concentra os modelos populares. Por lá são fabricados modelos médios –- como Ford Focus e Citroën C4 -– e picapes mais sofisticadas -– Volkswagen Amarok e Toyota Hilux. E o Brasil absorve a maior parte das linhas de montagem de compactos. Uma distribuição de produções que varia de marca para marca e que funciona como uma espécie de complementação. Mas que também serve para seguir uma especialização mais tradicional de cada país. Ou, simplesmente, para baratear custos.

   Atualmente este é o principal apelo para os produtos feitos no país vizinho. Apesar de o Brasil ter um mercado interno seis vezes maior que o argentino -- a Argentina alcançou no ano passado cerca de 600 mil unidades produzidas, mais de 70% comprados pelo Brasil -- e de contar com uma infra-estrutura mais avançada, produzir por lá significa muitas vezes um custo mais baixo. Principalmente no que diz respeito de mão-de-obra.

   “Cada montadora tem uma estratégia. No caso do Brasil, o real valorizado encarece o produto e a Argentina leva vantagem pelo custo de mão-de-obra. Isso favorece na hora de fazer um cálculo econômico. E também é preciso ver o volume de veículos produzido e para onde serão enviados”, explica Marcelo Martin, supervisor executivo da SAE Brasil (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade).

   Os volumes contam muito. O Brasil, por ter um parque industrial maior e mais estruturado, ganha em escala. O que explica o fato de a Argentina se especializar em modelos que vendem menos, tanto no Brasil como na Argentina, e exigem menores quantidades fabricadas.

ARGENTINA X BRASIL
   Desafogar a produção por aqui também pode significar fazer um mesmo carro no Brasil e na Argentina. A grande diferença, porém, é que alguns produtos específicos são feitos apenas para abastecer o mercado interno argentino. É o caso do Peugeot 207. Produzido em Porto Real, no interior do Rio de Janeiro, o hatch compacto também é fabricado na unidade da PSA Peugeot Citroën em Palomar, na Grande Buenos Aires. Outro exemplo é do Classic, da Chevrolet, feito na fábrica de Rosário apenas para abastecer o mercado “hermano”. O veterano sedã compacto, porém, continua em linha em São Caetano do Sul, no ABC Paulista.

   A mesma estratégia adotou a Renault. Para abrir espaço na fábrica de São José dos Pinhais (PR) e aumentar a produção do Logan e do Sandero, além da fabricação da Nissan Livina por lá, o grupo francês resolveu transferir a produção do Clio para a fábrica de Santa Isabel, na Argentina. Já a Fiat faz nos dois países o Siena e o Palio.

(por Fernando Miragaya)
Saiba mais em: UOL Carros

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